A história da Grêmio Recreativo Escola de Samba Consulado nasceu da união de amigos, da paixão pelo samba e do desejo de manter viva a cultura carnavalesca do Rio de Janeiro em Florianópolis.
Tudo começou quando um grupo de cariocas, funcionários da Eletrosul, passou a se reunir para celebrar momentos de confraternização e participar de torneios esportivos entre colegas de trabalho. Liderados por Nivaldo João dos Santos e Salomão Lobo de Sousa Filho, os amigos adquiriram instrumentos de percussão e formaram um grupo musical que, aos poucos, conquistaria seu espaço na cultura da cidade.
O nome Consulado do Samba surgiu de uma brincadeira carinhosa entre os funcionários, que chamavam algumas residências dos colegas cariocas de “Consulados do Rio”. Foi na casa de Nivaldo e Waltamir, onde os instrumentos eram guardados e os ensaios aconteciam, que o nome ganhou força e identidade.
O que começou como uma reunião de amigos estava destinado a se transformar em uma das grandes expressões do Carnaval de Florianópolis.
Em 1977, às vésperas do Carnaval, os funcionários Martinha e João Carlos Bressane, conhecido como Cacau, sugeriram transformar aquele grupo musical em um bloco carnavalesco.
Nascia, assim, o Bloco Consulado do Samba, que adotou o vermelho e branco como suas cores oficiais, inspirado na tradicional escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, do Rio de Janeiro.
A estreia aconteceu na Avenida Paulo Fontes, nas proximidades do Mercado Público de Florianópolis, durante o tradicional concurso de blocos carnavalescos.
Com uma bateria marcante, fantasias elaboradas e muito entusiasmo, o Consulado conquistou o público e garantiu o primeiro lugar logo em sua estreia.
O sucesso não parou por aí. Entre 1977 e 1985, o bloco conquistou nove títulos consecutivos, tornando-se uma referência no Carnaval da cidade.
Pioneiro e inovador, o Consulado foi o primeiro bloco a desfilar com um intérprete acompanhado de cavaquinho, tendo Nivaldo como protagonista dessa novidade.
A cada ano, cresciam o número de integrantes, a estrutura e a paixão da comunidade. Em 1982, o bloco já reunia aproximadamente três mil componentes em seus desfiles.
As conquistas levaram o Consulado à condição de hors concours, reconhecimento de sua trajetória vitoriosa. Era o momento de dar um passo ainda maior.
Em 1987, o Consulado iniciou um novo capítulo de sua história ao estrear oficialmente como escola de samba no Carnaval de Florianópolis.
Com o enredo “Mentalmorfose”, a escola apresentou na avenida sua própria transformação: de um bloco carnavalesco nascido entre amigos para o Grêmio Recreativo Escola de Samba Consulado.
A estreia terminou com a quarta colocação, mas representou uma conquista muito maior: a consolidação de uma identidade que atravessaria gerações.
Desde então, o Consulado passou a construir uma trajetória marcada pela força de sua bateria, pela criatividade de seus enredos, pela dedicação de seus componentes e, principalmente, pelo amor de sua comunidade.
Mais do que uma escola de samba, o Consulado tornou-se um símbolo de tradição, pertencimento e cultura popular.
O Carnaval de 2026 entrou para a história do Consulado como um momento de celebração e conquista.
Com o enredo “Optchá! No caminho para o Eldorado, nosso destino é pandeirar!”, a escola levou para a avenida uma viagem lúdica conduzida por uma cigana e um sambista, resgatando memórias e celebrando sua própria trajetória.
Em um desfile marcado pela emoção, criatividade e excelência, o Consulado conquistou o bicampeonato e seu décimo título no Carnaval de Florianópolis, coroando as comemorações de seu Jubileu de Ouro.
Uma vitória que reafirmou a força do vermelho e branco e o compromisso de todos que fazem parte dessa história.
Para o Carnaval de 2027, o Consulado prepara mais um capítulo de sua trajetória, trazendo para a avenida o enredo:
“Ô Atlântico Negro de Mansa Abubakari II: quando o mar virou raiz, o ouro de Mali refletiu no chão do Recife”.
Uma narrativa que atravessa o oceano e conecta histórias, culturas e ancestralidades, evocando a grandiosidade do Império do Mali, a memória africana e os encontros culturais que ajudaram a formar a identidade brasileira.
Com a força de suas raízes e a energia de sua comunidade, o Consulado se prepara para transformar essa história em samba, arte e emoção.
De uma pequena reunião entre amigos a uma escola de samba campeã, o Consulado construiu uma história feita de sonhos, conquistas e gerações apaixonadas pelo Carnaval.
Cada batida da bateria, cada fantasia, cada canto e cada passo na avenida carregam o legado daqueles que deram início a tudo em 1977.
Porque ser Consulado é mais do que vestir vermelho e branco. É carregar uma história no peito, viver o samba com orgulho e fazer parte de uma família que transforma paixão em Carnaval.
G.R.E.S. Consulado — Nossa história, nosso orgulho, nossa paixão!